domingo, 21 de março de 2010

A calmaria - parte II - A PRIMAVERA CHEGOU! WOW!





"Ao pôr do sol, temos o início da escuridão com formação notória de calmaria, mas que guardam mistérios imagináveis".
Pois bem, como frase inícial do meu último post: "Depois da tempestade vem a calmaria", fiquei pensando uns bons minutos nessa frase que achei perdida online. O meu sentido para tal frase é de que sempre que houver um problema as coisas irão se ajeitar, pra melhor, pra pior, mas se ajeitarão. A dor, a ansiedade não será a mesma que a da tempestade. E mesmo que tudo melhore 100% situações acontecerão na nossa vida - ou seja, tempesdade-calmaria nada mais é que um ciclo vicioso da vida. Querendo ou não temos que nos adaptar a isso. Ninguém é 100% feliz (minha opinião), aliás eu odeio pessoas hiper mega super felizes, sabe aquelas do tipo: "Olha que verde mais lindo desse capim?". Pessoas contantemente hiper mega felizes, pra mim, apenas escondem a realidade com medo de julgamento. Pois bem ... vamos falar d aminha calmaria momentânea.

É muito importante em nossas vidas termos boas referências, nem todo mundo as tem. Quando crianças, adolescentes "odiamos"nossos pais por nos imporem limites, horários, mesadas. Mas quando crescemos e sentamos em uma mesa de buteco ou na casa de um amigo, a primeira coisa que fazemos, pelo menos eu, é: "mas meu pai me ensinou, minha mãe me mostrou que ...". Hoje eu nem sei como agradecer ao "ódio"que eu sentia! Um ódio mais puro que amor! E nem sei se meu gordinho (pai) lembra, mas um dia ele me disse que queria ser médico, mas que as circunstâncias não deixaram; que por muito tempo não gostava da faculdade de odonto. Mas hoje sei quão brilhante ele é na profissão dele, sempre honesto - teimoso também. E um dia (muitos anos) ele me disse: "O importante não é fazer o que gosta, mas é gostar do que faz". Ele nunca vai saber se seria um bom médico, mas com toda certeza é um ótimo dentista, pois ama o que faz.

A saudade é algo que sempre bate em nossa porta, quando vamos dormir, quando estamos no ônibus, no trem ... Sempre tenho uma saudade específica quando olho para algo. Esse dia meu pai não saiu do pensamento até que o vi na telinha do computador. E eu choro, choro mesmo. Choro de felicidade, choro de angústia, choro de saudade, de tudo. E meu pai, mesmo teimoso, tem o sorriso mais lindo. E quando decidi voltar ele me disse a mesma coisa: "Seja boa no que decidir fazer, nunca tire sua integridade moral." E não só em New York, mas em qualquer lugar que vamos, muitas coisas nós vemos ou nos são oferecidas. Muitas vezes já me tiraram sarro porque eu dizia: "Não tenho coragem". "Por quê". "Porque é como se meu pai e minha mãe estivessem me vendo. Não consigo". E por não terem pontos referenciais, muitas pessoas tiram sarro de mim.
Com a crise mundial que, aparentemente ou teoricamente está gradualmente melhorando, é preciso de ter muita paciência. As pessoas sabem que você precisa de um emprego então tentam tirar vantagem de você. A minha sorte é que eu tive pessoas que sempre me insentivaram e me motivaram. "Você tem inglês, você é paciente, você gosta de crianças, você é amorosa"... claro que eu tenho o inverso de tudo isso também. E eu gosto de ser independente, mas fui paciente. Fiz uma porção de entrevistas até que encontrei uma família muito boa comigo. Um dos vícios que você adquire quando é AuPair é tentar sempre fazer parte da família.

E é preciso aprender que cada familía tem sua criação, seu modo de viver. E eu cuido de duas crianças e meia. Brinco porque Elijah nasceu há uma semana atrás. Tem a Abby e o Charlie. São judeus, não muito bitolados; diferente da minha primeira família que by the way tive a felicidade de reencontrar semana passada e conversar bastante e foi realmente muito prazeroso, Abby e Charlie são mimadinhos, choramingam por tudo, mas estou ganhando a confiança deles. As vezes conto as histórias pro Marcos e ele diz "Você tem que ...". Eu não tenho nada. A criação deles é assim, então assim será. Não levo nada pro pessoal, são crianças oras bolas. Mas fico feliz em saber que em 3 semanas eles já confiam em mim.

Michelle? Minha boss? Nope! Minha chefe-amiga! Não levanta a voz pra nada, é companheira. Já até chorou nos meus braços. Me manda mensagens durante o fim de semana; nunca saio da casa sem um abraço. Meu patrão não vejo muito, mas também sempre deixa claro que está feliz por eu estar lá. Adoro trabalhar lá. Faço tudo relacionado as crianças: levo e busco na escola, playdates, aula de natação, ginástica, brinco, dou comida; mas quando vejo que uma roupa precisa ser lavada vou lá e lavo. É difícil descrever, mas não conto as horas pro dia terminar, fico exausta no final dele, mas não é um martírio. Há dias melhores que os outros, mas em que profissão não é assim.

Não vou comparar salários, porque são realidades diferentes, mas eu amo ser professora, sempre serei; mas hoje amo ser um pouquinho de tudo: nanny, assistant, driver, entertainer ...! O IMPORTANTE É GOSTAR DO QUE FAZ NÉ PAPAI!
"Gostar do que se faz é importante exatamente por isso: em qualquer dificuldade que se enfrenta, a dificuldade acaba sendo sempre menor que a paixão pelo trabalho". Roberto Justus.

Sou meio antítese. Às vezes acredito em destino, as vezes prefiro acreditar em força de vontade e empenho. Claro que acreditar nos sonhos é algo essencial, mas difere do destino. Nos o traçamos. Não cabe a Deus colocá-lo em nosso caminho, afinal Deus sempre quer o bem de todos. Por isso não acredito muito em destino, prefiro dizer: "- É preciso ter fé", ficamos mais confiantes em traçarmos nosso destino.

E vivaaaaa, Spring has come! =)
Ps. Lola, adorei vê-la de novo! Sempre é gostoso conversar contigo =)

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